Acesso à informação

Serviços  

   

Artigos e Publicações  

   

Artigos

Agricultores escoam produção

Detalhes

 

DIÁRIO DO NORDESTE – CADERNO REGIONAL  06/11/2009

 

Foto: ALEX PIMENTEL

 

Feira chega aos seis anos de atuação com expectativa de expansão e captação de crédito especial como incentivo

 


Quixeramobim. A primeira Feira da Agricultura Familiar implantada no Interior do Ceará completa seis anos de atividades com um questionamento: o modelo de incremento comercial ao fortalecimento da cadeia produtiva do trabalhador rural é viável? Na opinião de quem apostou na alternativa, se dedica à subsistência rural, a proposta se consolida como ganho econômico e possibilidade de eliminação da figura do atravessador. O movimento no ponto de vendas instalado no Centro da cidade e o lucro não são maiores pela falta de mais produtores e de insumos do campo. O município tem como principal vocação a pecuária leiteira.


Para superar essas barreiras, o Banco do Nordeste (BNB) tem incentivado o homem do campo com uma linha de crédito especial, o Agroamigo. Segundo o gerente da agência local do BNB, José Aires Pinheiro, o município já conta com 4,5 mil agricultores beneficiados. Cada um deles recebe R$ 1,5 mil com subsídio de 25% do valor do empréstimo e juros de 0,5% ao ano. Pinheiro destaca o programa de microcrédito idealizado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), como um dos principais suportes para o fortalecimento do setor.


Muito trabalho

Apesar da comemoração, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Quixeramobim, Evandro Quirino, ainda vê muito trabalho pela frente. Apesar de sólido, o negócio rural conta com apenas 12 pequenos produtores. Poderiam ser muito mais. A falta de habilidade na comercialização, a impaciência com a espera no pé do balcão e a facilidade de venda para o atravessador ainda são os principais empecilhos. Preferem perder até R$ 0,50 no quilo de feijão maduro a se arriscarem na venda direta, segundo comenta o representante da categoria.


Na opinião do supervisor do Projeto Dom Helder Câmara no Sertão Central, Flávio Henrique Gonçalves, a dificuldade na hora de vender e a tendência produtiva de leite bovino não são problemas. Para ele, a principal ferramenta para expansão da comercialização por meio das feiras dos agricultores está na organização. Sem preparo não conseguem completar a independência da cadeia produtiva. Sua equipe desenvolve ações estruturantes de fortalecimento da reforma agrária e da agricultura familiar na região justamente com esse propósito. O processo é demorado.


Segundo Gonçalves, no Sertão Central, além de Quixeramobim, apenas Senador Pompeu e Choró contam com feiras voltadas exclusivamente à produção da agricultura familiar. São realizadas uma vez por semana. Quixadá também tem um espaço de comercialização voltado ao desenvolvimento agrário familiar. Todavia, além dos feirantes retirados das ruas, comerciantes da Ceasa utilizam a Central de Abastecimento da cidade como fonte de renda. A administração municipal alega não existir demanda produtiva local.


No Ceará, Boa Viagem, Crato, Ibiapina, Ipueiras, Itapipoca, Mauriti, Meruoca, Nova Russas, Parambu, Pentecoste, Quiterianópolis, Quixeramobim e Viçosa do Ceará são algumas cidades que realizam feiras da agricultura familiar regularmente. Banabuiú deve ser a próxima. Em fevereiro eram apenas 13. Além de grãos, legumes, verduras, hortaliças, frutas, mel de abelha, doces, cajuína, licores, açúcar mascavo, aguardentes de cana-de-açúcar e banana, o artesanato também é comercializado nessas feiras. Dados do MDA indicam a agricultura familiar como responsável pela produção dos principais alimentos consumidos pela população brasileira. No Estado, mais de 300 mil famílias exercem a atividade rural. Representa cerca de 12,3 % do PIB cearense.


ENQUETE


Desafios a vencer

JOSÉ AIRES PINHEIRO
Gerente do BNB de Quixeramobim
Estamos felizes em poder participar do fortalecimento de mais uma atividade de assistência ao homem do campo

EVANDRO QUIRINO
Presidente do STTR de Quixeramobim
Não se consegue mudar da noite para o dia um hábito adquirido desde o início da colonização. É preciso paciência e persistência

FRANCISCO SÉRGIO DE ALMEIDA
Feirante e agricultor familiar
Aos poucos estamos conseguido o nosso espaço, sem a interferência de atravessadores. Lucramos nós e nossos fregueses.

   

Galeria de Imagens  

   
   
© Projeto Dom Helder Camara