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Rio Umari apresenta resultados positivos
MÁRCIO MORAIS
Do Médio Oeste

Médio Oeste - O rio Umari nasce por trás da parede do açude Rodeador, na divisa de Almino Afonso com Umarizal, e segue seu curso natural passando pelos municípios de Rafael Godeiro, Olho D'água do Borges, até diminuir de tamanho no município de Caraúbas, onde se torna afluente da Lagoa do Apanha-peixe e, por conseguinte, do rio Apodi-Mossoró. Ao longo desse rio, moram mais de 500 famílias que vivem da prática agrícola e da criação de bovinos, ovinos e caprinos.


A vinculação de suas atividades produtivas à necessidade direta de água disponível ao longo do tempo levou o povo ribeirinho a alimentar um sonho eterno de construir uma forma de barramento do considerável volume das águas que durante a estação chuvosa correm para o Oceano Atlântico.


De acordo com o agricultor Edivaldo, morador da localidade rural de Abderramant, encravada no município de Caraúbas, o seu avô falava nesta história sendo contada em 1901. Naquela época, imaginavam uma enorme barragem que aprisionasse as águas das chuvas.


A tecnologia barata das barragens sucessivas vira solução para os produtores rurais da região que, estimulados pela ONG Diaconia a conhecerem as chamadas barragens sucessivas que foram construídas no município seridoense de Serra Negra do Norte, resolveram trocar a idéia de uma enorme barragem por um conjunto de 14 barragens sucessivas ao longo do curso de 40km do rio Umari em benefício de mais de 500 famílias de quatro municípios.


Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caraúbas e coordenador do comitê territorial do Projeto Dom Hélder Câmara/SDT/MDA, José Maria Júnior, as vantagens são muitas. As barragens sucessivas custam um valor equivalente a 70 vezes mais barato do que o preço que uma enorme barragem custaria para gerar o mesmo espelho de água. "As margens dos rios ficam totalmente descobertas, reduzindo os impactos ambientais provocados nos inundamentos das grandes obras; e as áreas de baixios ficam disponibilizadas para o cultivo agrícola; e supre a demanda de água para as atividades produtivas das populações ribeirinhas", comentou o sindicalista José Maria.


Na região já existem cinco barragens sucessivas concluídas, outras três em andamento e seis com recursos alocados para ser finalizadas depois do período chuvoso.


Segundo o coordenador do projeto Dom Hélder Câmara, Caramuru Paiva, nessas obras houve a participação direta das três esferas do Estado, harmonizada num objetivo comum que era a perenização do Rio Umari. Pelo Governo Federal, participou o Projeto Dom Hélder Câmara/SDT/MDA; pelo Estado do Rio Grande do Norte, participaram o Programa Desenvolvimento Solidário/SETHAS e a SAPE; e no território participaram as Prefeituras dos municípios beneficiados.


A barragem, que estava seca em 15 de fevereiro e sangrando no dia 19 de fevereiro, deu para os moradores da localidade Caiçara, em Umarizal, o maior presente esperado há pelo menos quatro gerações. O agricultor Raimundo Geraldo, morador da região, fez questão de posar para foto ao lado da barragem. "Quero guardar a lembrança dela cheia pela primeira vez porque eu já não acreditava na construção", resume animado seu Raimundo.


Segundo José Geraldo Neto, presidente da Associação de Caiçara, acabou o tempo das dificuldades porque agora, além de terra tem água para produzir. Ao longo do Rio Umari, existem quase 100 hectares cultivados com culturas como feijão, milho, arroz, sorgo, hortaliças e fumo. Com as barragens concluídas, essa área poderá ser elevada em pelo menos 10 vezes, o que garantirá uma melhor qualidade de vida para os pequenos produtores rurais que moram naquela área.


Participação social fazendo a diferença


Caraúbas - O agricultor Antônio Neto é o presidente comunitário da localidade Cacimba do Meio, localizada no município de Caraúbas. Ele costuma contar com orgulho que a sua barragem foi a primeira a ser construída. "Aqui nós trabalhamos em regime de mutirão com 15 homens pegados sem parar durante 75 dias", comenta. "Depois chamei os descrentes da região e disse: 'andem em cima da barragem que vocês disseram que a gente não fazia'", conclui com um sorriso largo.


A viabilização dos recursos e os processos de construções das barragens tiveram sempre a presença marcante das associações comunitárias, tornando-se fator fundamental para o êxito do projeto. Até meados de 2003, os quatro municípios atuavam isolados na busca de recursos para a construção dos barramentos dos rios. Foi quando através do encontro de sustentabilidade das comunidades, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Caraúbas e a ONG ATOS, reuniu os diversos órgãos de Estado e os municípios e começaram a atuar conjuntamente. Daí para frente, a articulação através do comitê territorial do Projeto Dom Helder Câmara/SDT/MDA no território Sertão do Apodi tornou-se o ambiente de integração dos diversos atores envolvidos.

   

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