Acesso à informação

Serviços  

   

Artigos e Publicações  

   

Artigos

Quebrando preconceitos e plantando com responsabilidade

Detalhes

 

Os moradores da comunidade de Irapuá, que fica a 15 km do município de Nova Russas/CE, aprenderam a tirar da terra o que ela tem de melhor para oferecer, mas de maneira responsável e consciente. Os agricultores e agricultoras da comunidade, não apenas praticam, mas vivem o processo agroecológico, buscando conhecer mais sobre a prática agroecológica, dessa forma garantem uma boa safra e a segurança alimentar para suas famílias no convívio com o semiárido.

Mas nem sempre foi assim, no passado (há 23 anos) os agricultores se organizaram e conseguiram comprar um trator para facilitar o trabalho no campo. O entusiasmo doa trabalhadores foi tão grande que não perceberam o prejuízo que estavam trazendo: desmatando, queimando e deixando a terra descoberta. Com o passar dos anos, os agricultores viram que as terras preparadas sem cuidado, estavam perdendo a produtividade a cada ano que passava.

 

Foi com a chegada do Projeto Dom Helder Camara em 2006, que a comunidade teve o primeiro contato com o sistema agroecológico. Os moradores logo se mostraram interessados em trabalhar a apicultura, avicultura, a caprinocultura e a até o artesanato através de um grupo de mulheres. O primeiro grupo a ser formado foi o GEAPI (Grupo Ecológico de Apicultores de Irapuá), que teve a iniciativa de reflorestar as ares desmatadas ou com perca de vegetação natural, com árvores nativas em risco de extinção, garantindo a alimentação das abelhas e fortalecendo o ecossistema local.

 

Em 2008 o PDHC implantou na comunidade a idéia do plantio em consórcio com algodão agroecológico, implantando técnicas de produção mais adequadas a realidade semiárida objetivando a recuperação das áreas degradadas. Primeiramente foi substituído o trator pelo cultivador de tração animal que não compacta tanto o solo, começou-se a usar o esterco de gado para ajudar na adubação do solo depois foram diminuindo o número de queimadas no preparo do solo.

 

No primeiro ano, 25 trabalhadores aderiram à novidade e perceberam uma melhoria na produtividade. A chuva ajudou bastante – “a média histórica de nosso município é de 800 mm e no ano de 2009 foi registrado 1600 mm, dava pra dois invernos”- declara Antônio Giovane Pinto multiplicador e poeta da comunidade. Como as áreas de Irapuá são baixas e banhadas pelo rio Acaraú, houve alagamento nesse período, mas mesmo assim o algodão resistiu, mostrando para os moradores a importância do plantio em consórcio, - “se fosse um sistema de monocultivo não teria sobrado nada, mas o algodão recuperou e conseguimos colher 2.000 kg (dois mil quilos). Se o inverno tivesse sido controlado teríamos superado a expectativa que era de 7.000 (sete mil kg)” conclui o poeta.

 

Se em 2009 houve excesso em 2010 foi o contrário, a escassez de chuvas diminuiu ainda mais a produção, mas os agricultores não desanimaram diante das dificuldades, inclusive houve um aumento no número de agricultores interessados em trabalhar com o consórcio agroecológico, passando a compor o grupo 30. A expectativa de uma boa produção no ano seguinte era muito grande devido à recuperação das áreas degradadas, que já não queimar, quem ganha com isso somos os e o meio ambiente” – externam os agricultores.

 

A assessoria técnica do Projeto Dom Helder contou com a parceira do ESPLAR em 2009, que ministraram 06 capacitações com os agricultores (oficina teórica e prática). Com as capacitações e os resultados da prática, os próprios agricultores passaram a multiplicar o conhecimento adquirido para outras regiões e outros estados. – “Com isso demos um apoio ao agricultor mais de perto, pois não é sempre que os técnicos de fortaleza ou de Santa Quitéria podem estar aqui no dia a dia com eles” afirma o multiplicados Geovani.

 

A comunidade está a dois anos em um processo para poderem certificar seus produtos como orgânicos, pois a mesma mantém um sistema de produção agroecológicamente correta. Essa certificação irá valorizar os produtos na hora da venda, um exemplo disso é o algodão que esta com o preço 50% acima do mercado convencional e o milho um aumento de 30%. A valorização do mel com a certificação de produto agroecológico é um incentivo para a criação de uma mini indústria na comunidade.

 

...” A agroecologia

Me trouxe inspiração

Falo com liberdade

Pois para salvar o planeta

Ela é a única solução”...

 

Antônio Giovane Pinto de Carvalho

 

Confira aqui a materia publicada no Boletim Informativo – O Candeeiro – do Programa Uma Terra e Duas Águas –Ceará.

   

Galeria de Imagens  

   
   
© Projeto Dom Helder Camara