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Resistentes como a xique-xique

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Grupo de mulheres de Monte Alegre, distrito de Afogados da Ingazeira, no Sertão, conseguiu abrir uma unidade de beneficiamento de frutas

Micheline Batista - Da equipe do Diario

 

Maria das Dores Alves da Silva, 48 anos: "Batalhamos muito. Assim como a planta, que não morre nem com a seca, estamos sobrevivendo e conquistando espaço". Foto: Juliana Leitao/DPMaria das Dores Alves da Silva, 48 anos: "Batalhamos muito. Assim como a planta, que não morre nem com a seca, estamos sobrevivendo e conquistando espaço". Foto: Juliana Leitao/DPA criação de uma unidade de beneficiamento de produtos da agricultura familiar mudou a vida de um grupo de mulheres na zona rural de Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, a 380 quilômetros do Recife. Antes, elas dividiam seu tempo entre a roça e os trabalhos domésticos. Dependiam financeiramente do companheiro. Hoje, elas têm emprego e renda. Gestoras do próprio negócio, melhoraram a auto-estima. São mais respeitadas e valorizadas.

A minifábrica do grupo de mulheres Xique-Xique funciona no sítio Vaca Morta, próximo à comunidade de Monte Alegre, a 12 quilômetros do centro de Afogados. Lá elas processam doces, geléias e polpas de frutas como caju, goiaba, mamão, maracujá, acerola e umbu, plantadas sem agrotóxico. Também fazem um delicioso doce de leite. A produção é vendida na feira, na escola, em mercadinhos e lanchonetes locais. A iniciativa, que integra a Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú, responsável pelos produtos Sabores do Pajeú, tem o apoio do Projeto Dom Helder Camara e parceria com o Centro de Mulheres do Nordeste.

 

"No início a gente tinha dúvidas. Pensava em fazer uma fábrica de pão ou de fraldas. Foi quando a Casa da Mulher disse que seria melhor a gente aproveitar as frutas que se perdiam na nossa comunidade. Muitas apodreciam embaixo dos pés", conta Maria das Dores Alves da Silva, 48, responsável pela venda dos produtos. De 2004 para cá, foram muitas reuniões. Idas e vindas. Do grupo inicial de 35 mulheres, restaram seis. Com o Projeto Dom Helder, elas conseguiram dinheiro para construir a minifábrica.

 

"Nós batalhamos, passamos por várias reuniões e sofremos muito preconceito dos maridos e das vizinhas, até que conseguimos. O nome do grupo tem a ver com isso, pois a xique-xique, por ser uma planta nativa do Sertão, não morre fácil nem com a seca. Agüenta tudo", relata Maria das Dores, cuja força de vontade superou até dificuldades como o fato de mal saber assinar o nome.

 

A infra-estrutura foi erguida com a ajuda da própria comunidade. A unidade de beneficiamento tem uma área para recepção dos produtos, com lavatórios para higienização das mãos e das frutas, cozinha com pias em inox e balcões para processamento do material, dois fogões a lenha e um industrial a gás. Há, ainda, uma área destinada à embalagem e rotulagem dos produtos e outra para armazenamento e comercialização. Tudo dentro das normas da Vigilância Sanitária. Entre os equipamentos, dois freezers, despolpadeira, seladeira, balança e liqüidificador.

 

Divisão - Quando a reportagem visitou a unidade de beneficiamento numa terça-feira pela manhã, levada por Maria das Dores, encontrou um ambiente alegre funcionando no esquema de divisão do trabalho. Josefa Maria das Neves, 36, abastecia os fornos a lenha. Joana Bezerra de Oliveira, 41, ralava coco, enquanto Severina Davino da Silva, 38, mexia o doce de leite no fogo. "Antigamente eu vivia em casa, só saía para a roça. Depois desse projeto pude viajar bastante e ainda ganho um trocadinho. Não dependo mais do marido", diz Joana. Cada uma ganha cerca deR$ 50 por mês, situação que deve melhorar quando terminarem de pagar o financiamento do projeto.

 

   

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